quinta-feira, 26 de abril de 2012

TECNOLOGIA ASSISTIVA - CONHEÇA ALGUNS PROGRAMAS GRATUITOS

Conheça alguns programas gratuitos (18/06 - Agência Estado)

Por Gustavo Miller e Bruno Galo São Paulo
Antonio Borges costuma dizer que ele e sua equipe - que já mudou várias vezes em mais de 15 anos de atividade - são mais do que pioneiros na área da tecnologia assistiva no País. "O mais importante nos nossos softwares é que eles são simples e gratuitos.
A tecnologia que produzimos modifica a vida das pessoas", diz.

Atualmente, Borges coordena os projetos de acessibilidade do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ). O DosVox, programa desenvolvido em 1993 com cerca de 20 mil usuários no País, busca criar um ambiente operacional completo para deficientes visuais e traz um leitor de tela simples.

Além do DosVox, o professor Borges e sua equipe - composta atualmente de cinco pessoas, sendo uma não deficiente, duas cegas, uma tetraplégica e uma com paralisia cerebral -, criaram vários outros softwares inclusivos.

O primeiro deles, o Motrix, desenvolvido a partir de 2002, foi pensado para pessoas com deficiências motoras graves, como tetraplegia e distrofia muscular. Funciona por meio de comando de voz, possibilitando inclusive a redação de textos.

Ricardo Souza, de 26 anos, diretor da ONG carioca Espaço Novo Ser, é tetraplégico desde 1997. "No começo é um pouco complicado ter de soletrar as letras no Motrix, mas agora eu já consigo fazer isso rapidinho", diz.

Há ainda o MicroFênix, desenvolvido a partir de 2004, para pessoas que, além de apresentarem deficiência motora grave, possuem a fala comprometida. Todos os softwares desenvolvidos pela equipe de Borges estão disponíveis para download gratuito no endereço:
http://intervox.nce.ufrj.br. Atualmente eles trabalham no desenvolvimento de um software para deficientes visuais para ser usado no celular, o CellVox.

Existem algumas outras iniciativas nacionais voltadas para a criação e disponibilização de programas gratuitos para pessoas com deficiência. No site do Ministério das Comunicações (
www.mec.gov.br) é possível fazer o download de um software leitor de tela, desenvolvido pela Fundação CPqD, de Campinas.

Já no site
www.surdobilingue.org é possível baixar um software livre feito para educadores alfabetizarem alunos surdos em português. Também voltado para os deficientes auditivos, o www.acessobrasil.org.br/libras disponibiliza para consulta um dicionário da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

No exterior, há uma infinidade de iniciativas. A mais recente foi a de um avô que desenvolveu um navegador especial para o seu neto autista usar a internet. Ele está disponível para download no endereço
www.zacbrowser.com.

Já os softwares CameraMouse (
www.cameramouse.org) e HeadDev (http://tinyurl.com/5nb3y9) são programas voltados para pessoas com mobilidade reduzida e permitem o controle do cursor do mouse no monitor apenas com o movimento da cabeça.

Já o Eugénio, disponível na Rede Saci em
http://tinyurl.com/58dnel, é um software que, ao sugerir palavras, tem o objetivo de acelerar o processo de escrita de pessoas com limitações motoras.

Entre as opções nacionais não tão caras, um dos destaques é o Mouse Ocular, criado pelo professor Manoel Cardoso, da Fundação Desembargador Paulo Feitosa, em Manaus. "Queremos recuperar a auto-estima das pessoas com deficiência. A expectativa de vida é algo físico", afirma Feitosa.

O mouse, vendido apenas para empresas, funciona através de eletrodos ligados a um módulo eletrônico conectado a um computador. Os eletrodos são colocados na testa e na região dos olhos do deficiente e funcionam como mouse a partir de movimentos oculares e piscadas.

A traquitana vem sendo testada na UTI da pediatria do Hospital do Mandaqui, na zona norte de São Paulo, desde o final de fevereiro. Mateus, de 5 anos e tetraplégico, está aprendendo a movimentar o mouse. No futuro, espera-se que ele possa brincar com joguinhos virtuais, escrever seu nome e até navegar na web. Quem o orienta é o professor voluntário e estudante de pedagogia, Alberto Eduardo Rego Lins, que vai todas as sextas-feiras ao local.

"O aparelho é barato, custa cerca de R$ 200. A dificuldade é encontrar mais profissionais capacitados para serem voluntários", diz Maria Teresa Torgi Alves, gerente de pediatria do Hospital do Mandaqui.
 

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